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..:: TRAGÉDIA DE CAROLIETA PONTEQUIO E LUMEU AUGUSTILETO ::..
Uma comédia romântica que resgata o romantismo à Romeu e Julieta com um toque regionalista e atual. Agradecimentos especiais para a co-autora da história, assim como intérprete do personagem
Lumeu: July Mary.
Tudo começou em uma remota cidadezinha do interior de Minas Gerias chamada Patos de Minas. Patos era uma cidade onde os cães corriam tranqüilos e felizes por toda parte, onde se ouvia o canto dos pássaros livres pelo ar, enfim, uma cidade feliz.
Mas a paz foi ameaçada a partir do dia em que dois jovens se conheceram. Era um baile feito por um rapaz muito rico e bem conhecido na cidade: Rafael Pimenta. Um baile de máscaras onde todos os jovens eram obrigados a se apresentar. Carolina Pimenta, a irmã do anfitrião, estava maravilhosamente encantadora na ocasião e foi cortejada por vários ricos jovens do lugar, mas, naquela noite, ela só teve olhos para um belo e misterioso jovem.
A troca de olhares se estendeu por quase todo o baile. O misterioso rapaz e a encantadora jovem se entreolharam durante todo o longo baile. Todos os pretendentes de ambas as partes foram rejeitados todo o tempo. Até que ao som de Truly, Madly, Deeply do Savage Garden, o misterioso rapaz convida Carolina para uma dança. A última do baile, mas a primeira do novo casal.
Após a romântica e colada dança, Carolina e o rapaz foram ao jardim da Mansão Pimenta para a revelação de suas identidades. Carolina Pimenta foi a primeira a se revelar. O misterioso rapaz se surpreendeu com a identidade da garota, mas não hesitou em retirar também a sua máscara, se identificando como Luiz Augusto.
Os jovens apaixonados tinham um grande problema. As famílias Pimenta e Augusto não se davam, se juraram de morte. Como os seus pais aceitariam o amor do jovem casal? Isso era totalmente impossível. Mesmo com essa preocupação no ar, Luiz e Carolina viveram momentos românticos no jardim da Mansão e juraram para si mesmos que nunca desistiriam de seu amor.
O amor entre Carolina e Luiz surgiu apenas de olhares distantes, mas se concretizou com gestos e toques inesquecíveis para ambos os lados. Da noite do Grande Baile de Máscaras em diante, vários e vários encontros à luz da Lua e à sombra das árvores do Bosque aconteceram, eternas juras de amor foram trocadas e a coragem de tornar aquele amor público surgiu como a única esperança de não se esconder algo tão real.
Era um ensolarado domingo de primavera na pacata cidade de Patos de Minas, quando um fato totalmente inédito ocorria: um Augusto estava batendo a porta da Mansão Pimenta, e isso não era um bom sinal. O servo do Sr. Pimenta correu para o seu amo para contar do ocorrido. Logo que o Sr. Pimenta se viu em frente a Luiz Augusto a confusão foi armada.
Sr. Pimenta tratou Luiz Augusto como um animal, mas mesmo com tanta descortesia Luiz contou os fatos ocorridos desde o baile e pediu humildemente a permissão do Sr. Pimenta para se encontrar com sua filha, Carolina. Nunca se ouvira tantos gritos pela redondeza. O poderoso Sr. Pimenta logo mandou chamar sua filha para confirmar a história, totalmente absurda para ele e, assim que ouviu sua filha contar apaixonadamente os fatos, pôs Luiz Augusto para correr com tantos gritos e tiros. A permissão fora negada, obviamente.
O escândalo gerado pelo pai não foi o suficiente para impedir que Carolina visse seu amado muitas outras vezes. A primavera, a estação dos amores, foi muito propícia para o casal apaixonado, que viveu de forma intensa seu amor. Muitos encontros às escuras aconteceram sem que as famílias dos jovens tomassem conhecimento dos fatos.
Passaram-se vários dias, passaram-se semanas. Apesar de todas as cautelas, o esperado aconteceu: o irmão mais novo de Carolina, Lucas Pimenta, descobre seus encontros às escuras com Luiz Augusto e, logo, a descoberta é passada para o pai. Com uma pequena escolta, o Sr. Pimenta arma um flagrante e ameaça Luiz Augusto de todas as formas. A briga é aparada por Sr. Augusto, que também com um certo número de empregados protege seu filho. Mas a guerra estava apenas começando. Carolina Pimenta agora estava totalmente proibida de sair de seus aposentos.
O quarto, antes grande e luxuoso, agora mais parecia uma prisão para Carolina Pimenta. As horas hesitavam em demorar a passar e o sofrimento já tomava conta de seu coração. As lágrimas eram inevitáveis naquela situação, mas não serviram nem mesmo para despertar a pena de seu frio pai, que jamais reconheceria o amor de Carolina por Luiz. No quarto, apenas entravam e saiam as mucamas, bem vigiadas pelo capanga do Sr. Pimenta. Isso fazia com que Carolina perdesse toda a esperança que tinha de continuar com seu amado.
Em meio a tanta angústia uma luz surgira: Cléo, uma de suas mucamas, entrara em seu quarto com um bilhete, que dizia ser de Luiz Augusto. Nele, Luiz afirmava o seu amor por Carolina e dizia também que estava planejando uma fuga, que levaria Carolina diretamente para o altar. Ficou combinado então que seriam trocadas cartas até o momento oportuno da fuga. E assim foi.
O plano de fuga foi minuciosamente planejado por Luiz Augusto durante todo aquele mês que se passou. Na véspera do dia de Ação de Graças, todos os donos de terras da região se reuniam para fazerem um balanço da colheita, do gado comprado e vendido, dos produtos vendidos, enfim de tudo o que havia ocorrido no ano. Além do balanço, havia sempre uma longa festa, que se prolongava por toda à noite, com muita bebida e comida para os fazendeiros e seus servos. Os Srs. Pimenta e Augusto compareciam todo ano, sem sombra de dúvida. Assim, Luiz teria mais facilidade em ir buscar Carolina sem dificuldades.
Carolina deveria se disfarçar para sair de seu quarto. Combinou com Cléo que naquele dia ela ficaria em seu quarto até mais tarde e traria para ela roupas de mucama. Carolina sairia dali como Cléo e, a mesma, ficaria deitada na cama de Carolina, para diminuir ainda mais as suspeitas. Sendo assim, Carolina passaria por todos os seguranças com maior facilidade, e encontraria Luiz nos fundos da Mansão, seguindo diretamente para o porto, e para Patrocínio, onde se casariam.
Como esperado, naquela noite sombria, Carolina fingiu não se sentir muito bem e pediu os auxílios de Cléo para ir descansar em seus aposentos. Percebendo que não havia despertado a desconfiança de ninguém Carolina e Cléo comemoraram no quarto a vitória na primeira parte do plano.
Carolina, vestida de mucama, saiu de seu quarto sem menores problemas, e assim também de sua casa. Após sair do imenso jardim da Mansão Pimenta, Carolina seguiu pelas ruas desertas da pacata cidade de Patos, rumo ao porto, onde se encontraria com Luis Augusto para seguirem diretamente para Patrocínio.
Mas nem tudo saiu como o casal planejara. O Sr. Pimenta dessa vez não permaneceu na reunião para a festa. Algo em seu coração dizia para ele ir falar com sua filha, pois eles estavam brigados há muito tempo. Sr. Pimenta sentia falta do abraço de sua filha, que sempre cuidara dele muito bem. Sendo assim, ele deixou seus dois filhos na festa e rumou para sua casa. Quando já se aproximava da Mansão avistou uma mucama muito mal vestida correndo pelas sombras. Achou aquilo estranho, mas não deu importância ao fato.
Ao chegar em sua casa, recebeu a notícia de que Carolina não havia se sentido bem durante o jantar e foi direto ao quarto dela. Entrou silenciosamente e se sentou à beira da cama. Vendo que Carolina estava dormindo deu um largo sorriso e começou a conversar com ela em tom de sussurro. De repente, quando alisou seu cabelo, percebeu que havia algo de muito estranho. Logo deu um pulo da cama, e com um berro, ligou a luz e viu Cléo deitada na cama de sua filha.
A imagem da mucama correndo pelas ruas rapidamente voltou à sua lembrança. Uma raiva enorme subiu à sua cabeça e ele saiu correndo de sua casa, com um rifle em suas mãos, seguido pelos seus servos e pelos filhos, que haviam chegado em casa a tempo de assistir à cena.
Carolina foi o mais rápido que pôde para o porto. Ao ver seu amado parado na plataforma de embarque, à sua espera, seu coração disparou e ela correu para seus braços. Houve um longo abraço. Quando Luiz começou a explicar como eles iriam se casar em Patrocínio, a voz grave do Sr. Pimenta ecoou por todo o porto. Carolina e Luiz se abraçaram desesperados... Mais um plano deles falhara.
O Sr. Pimenta estava tão furioso, que seu rosto estava vermelho de raiva e parecia que soltava fumaça debaixo do seu chapéu. Aos gritos e berros, disse palavras tão horríveis que seria impossível passá-las para esta história. Luiz estava agora em verdadeiros apuros. O Sr. Pimenta, bem disposto a sujar suas mãos pela honra de sua filha, apontou seu rifle diretamente para o peito de Luiz, que ainda abraçado à Carolina se mantinha sério e calmo (ou, pelo menos, aparentava). Aos berros do pai, Carolina saiu da frente de seu amado. A sentença de Luiz chegara em forma de morte.
Durante os próximos pouco segundos o silêncio tomou conta do porto e de todos que lá se encontravam. Mas, para o alívio de Luiz, seu pai logo chegou e interrompeu o silêncio aos berros em defesa de seu filho. Luiz estava salvo. Carolina agora se sentia muito aliviada e feliz.
Luiz fora levado para casa escoltado pelos servos do Sr. Augusto. Com Carolina aconteceu o mesmo, e foi acompanhada também por seus dois irmãos. Somente os dois patriarcas se mantiveram no porto para negociarem uma solução. “Negociar... meu amor não é mais um dos negócios de papai...” Dizia Luiz, indignado.
Após horas de conversa aparentemente civilizada, os Srs. Pimenta e Augusto chegaram a uma conclusão: os Augusto, que mantinham muitas fazendas e negócios em uma outra cidade da região, Uberlândia, partiriam em dois dias, deixando claro para Luiz que jamais voltariam a Patos. E os Pimenta, em contrapartida manteriam a palavra de jamais deixarem Carolina visitar Uberlândia e também de logo arrumarem um noivo para ela, para que se cassasse o mais rápido possível, acabando logo com as esperanças dos dois jovens.
E assim foi feito. Dois dias depois da tentativa frustrada de fugir com sua amada, Luiz estava pronto para partir para Uberlândia. Suas esperanças estavam se acabando totalmente. Novamente no porto, agora sim com a certeza que partiria, olhava desesperadamente a procura de Carolina para, pelo menos, uma última despedida.
O barco já apitava alertando a partida. Luiz já chorava por dentro. De repente, avistou sua amada aos prantos correndo ao seu encontro. Houve um longo e silencioso abraço. Luiz enxugava as lágrimas do próprio rosto, que derramara com a emoção, e tentava conter as de Carolina. Havia muito que ser dito, muito que ser sentido. Agora sim, a história de amor dos dois jovens chegava ao fim.
Carolina, desesperada e soluçando não se conformara com seu trágico destino:
- Oh, Luiz Augusto, como é que viverei sem você?
- Oh minha amada, venha comigo para Uberlândia, lá construiremos uma família e montaremos uma Mercearia!
- Oh meu amor, você sabe que eu não posso! Meus pais odeiam os seus pais, como faremos?
- Vamos suicidar?
- Nossa... Eu amo minha vida!
- Mas meu amor, vamos fugir para Presidente Olegário e montar nosso roçado com nossas vaquinhas, e nossas galinhas e porcos.
- P.O.? Mas meu amor, não seria melhor então ficarmos aqui mesmo em Patos? Seria tão mais simples...
- Mas você se esqueceu que eu tenho que ir pra Uberlândia? Mas porquê eu ia para Uberlândia mesmo?
- Porque seus pais odeiam a minha família... E ela é tão grande que Patos ficou pequena pra essas duas famílias...
- Que?
- Estou te explicando porque você vai pra Uberlândia mongol!
- Oh, minha Lady Marmalade, mongol és tua avó e retardada é tua mãe!
- Oh meu amado... Retardada é tua mãe que inventou de ir morar em uma cidade tão distante de mim!
- Então eu fico, minha amada!
- Oh! Como eu estou feliz! Agora poderemos viver felizes para o resto da eternidade! ... Meu amado.
O jovem casal decidiu ali mesmo que lutaria com todas as suas forças restantes para continuarem juntos. Não se sabe como eles conseguiram a façanha de se unirem, mas foi exatamente o que aconteceu. Eles se casaram e viveram felizes para o resto de suas vidas. Há aqueles que acreditam piamente que a força do amor fez com que as duas famílias se unissem, mas há também quem diga que os dois sacrificaram sua riqueza e suas famílias e viveram juntos como camponeses. Mas, só temos certeza de que isso tudo é um grande mistério.
Décadas e décadas depois os corpos dos dois foram encontrados na porta da Mansão Pimenta: Carolina, segundo estudos, teve morte natural; já Luiz foi envenenado e, até hoje, acredita-se piamente em suicídio. Um final trágico, mas feliz, para a trágica história de dois jovens apaixonados. E por aqui ficamos...